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De
onde vieram esses belos felinos? Qual sua origem? Porque existem tantos mitos em
torno dos gatos? Vamos conhecer um
pouco de sua história.
Os paleontólogos dizem que
seu antecessor era um animal que viveu há 50 milhões de anos, e assemelhava-se
à doninha, com corpo longo e patas curtas. Provavelmente, ele também foi o
ancestral dos cães e ursos.
O primeiro
animal que deu origem à família dos felinos surgiu dez
milhões de anos mais tarde, muito
antes do aparecimento do Homem sobre a Terra. Ele tinha o tamanho aproximado de
um lince e assemelhava-se ao gato
moderno; contudo, seus caninos eram mais desenvolvidos e seu cérebro menor.
Segundo alguns cientistas, essa espécie, denominada Dinictis, evoluiu em duas
direções: uma delas originaram os grandes
felinos pré-históricos, com dentes-de-sabre, extintos ainda na pré-história;
a outra, engloba a família Felidae, da qual pertencem todos os felinos selvagens e, consequentemente, o
gato doméstico (Felis Catus).
Antropólogos e zoologistas
acreditam que o gato doméstico surgiu a partir do ‘Felis Lybica’, sendo
essa a teoria mais amplamente difundida.
Existem muitas teorias a
respeito da aproximação dos gatos com o homem. Essa associação pode ter
ocorrido desde a pré-história, conforme relatam alguns registros.
Mas o fato é que a
domesticação ocorreu em função das necessidades de ambos: o gato encontrava
maior facilidade para obter alimento junto ao Homem que, por sua vez, livrava-se
de roedores e pequenos predadores.
Na natureza, cada
espécie sofre mutações ocasionais, (que podem levar centenas ou milhares de
anos), para que se adaptem às mais
diferentes condições ambientais, dentro de cada época de sua existência e de suas necessidades para a sobrevivência.
Porém, no caso dos gatos,
junto com a domesticação veio a
interferência do homem nesse processo evolutivo, fazendo
com que fossem desenvolvidas
espécies e raças de felinos cuja forma, pelagem e coloração jamais teriam
sido criadas expontaneamente na vida selvagem. Ou seja, todas as raças de gatos
domésticos que existem atualmente são frutos de acasalamentos influenciados, promovidos
ou controlados pela ação do Homem.
Sua origem exata é ainda
desconhecida, mas acredita-se que os gatos Persas surgiram a partir do Angorá,
originário da Turquia, e de gatos
de pelagem longa oriundos da Pérsia, trazidos para a Europa no século XVI.
Embora fossem admirados por sua raridade e beleza, somente
no final do século passado começaram os programas de criação da
raça, e passaram a serem vistos com maior frequência. Eles foram
apresentados oficialmente por
ocasião da primeira Exposição felina, ocorrida em 1871 no Crystal Palace, na
Inglaterra, quando também
começaram a serem feitos os
primeiros registros de pedigree.
A seleção
dos animais que mais se enquadravam no padrão desejado promoveu o surgimento
dos Persas, uma nova raça, que foi
sendo trabalhada ao
longo do presente século.
O trabalho genético obteve
sucesso, e foram surgindo
as novas cores, tipos e padrões completamente diferentes do inicial, até
que chegássemos no padrão do Persa
atual.
MITOS
E LENDAS:
AMADOS OU ODIADOS?
Os gatos são cercados de lendas e mitos desde seu aparecimento entre os
humanos.
No Antigo Egito, eles eram
personificados em importantes deuses da época, como o deus Ra e a deusa Mafdet,
e também Bast e Sekhmet,: cada
entidade egípcia tinha um animal associado a ela, como
representação de sua forma física; Bast tornou-se tão importante, que os
gatos eram adorados e considerados sagrados em todo o Egito.
Os gatos dos templos viviam na
corte; cuidá-los e abrigá-los era considerado uma honra especial passada de
pai para filho; os sacerdotes os
observavam atentamente esperando interpretar mensagens
das deuses através deles.
Literalmente adorados, haviam
inscrições e gravuras finamente trabalhadas com sua imagem por todo o Egito,
inclusive nas paredes dos templos e das tumbas; esculturas valiosíssimas adornavam
os palácios dos Faraós.
Existem registros pitorescos
na História dos gatos. Dentro
ou fora dos palácios, se um gato morresse, todos os membros da família
raspavam suas sombrancelhas em sinal de luto. Quem matasse um
gato deliberadamente, era punido
com a morte: na época de Ptolomeu, um membro da Embaixada Romana matou por
acidente um gato, e só foi salvo do linchamento por intervenção do próprio
Faraó. Em 500 a.C, um rei persa, em
guerra contra os egípcios, mandou que cada soldado avançasse contra a cidade
carregando um gato à sua frente. Os egípcios, temerosos em atingir os
animais sagrados, foram forçados a se render e entregaram a cidade ao rei
persa.
Os gatos tinham um enterro
formal, e, normalmente, eram mumificados e depositados em ataúdes no templo dos
deuses. Arqueólogos descobriram
mais de 300.000 gatos embalsamados nas
tumbas subterrâneas do Egito.
Os egípcios impediram tanto
quanto possível a exportação de seus gatos, mas isso tornou-se impossível
quando Roma passou a adotar algumas religiões egípcias. Não tão radicais, os
gatos eram objetos de culto, mas também passaram a desempenhar suas funções
como animais domésticos, vivendo harmoniosamente com o Homem e oferecendo
proteção contra camundongos e toupeiras; e assim, sua utilidade logo foi
reconhecida por todo o Império Romano, e passou a ser difundido por toda a
Europa.
Mas não é só na História
do Egito e Roma que os gatos aparecem. Na China, havia um deus da
agricultura em forma de gato; no Peru, um deus felino da sensualidade; na
Irlanda, um outro com a cabeça de gato; nos países nórdicos, os gatos estavam relacionados com outras duas deusas. Na China, haviam
gatos bons e maus, que eram diferenciados facilmente, já que (conta uma lenda)
os maus possuíam duas caudas!
Sempre vítimas de extremos,
na Idade Média passaram a ser brutalmente perseguidos, do século XII até o final do
século XVII: a Igreja Cristã associou as
velhas religiões com o demônio e
os gatos, principalmente os pretos que, segundo pensavam,
era a forma com a qual o
próprio Satã se materializava.
Essa idéia logo se difundiu
por toda parte: seguidores de religiões e cavaleiros dos templos eram forçados
a confessar, sob cruel tortura, que haviam venerado o demônio na forma de um
gato preto; então, eram condenados
à morte. Surgiu o culto de São Vito em Metz, na França, em
1344: a cada ano, e por mais de 4 séculos, o povo queimava publicamente 13
gatos vivos aprisionados numa gaiola. Na coroação da rainha
Elizabeth, gatos vivos foram aprisionados e levados numa procissão,
representando o demônio sob o controle da Igreja; no final da procissão, foram
queimados vivos.
Cerimônias como essas eram
relatadas em diversas cidades da Europa, incitadas pela Igreja, que comandava os
próprios reis, na época: no século XV, o papa
Inocêncio VIII determinou uma
Inquisição judicial perseguindo os adoradores do gato. Foram designados investigadores oficiais para isso.
Enquanto isso, o extermínio
avassalador provocava um crescimento incontrolável da população de
roedores, que destruíam plantações, invadiam casas e disseminavam doenças
por toda parte. Como consequência, a
Europa viveu uma das maiores epidemias de pestes virulentas provocadas por ratos
de sua História.
No século XVII, o repentino
interêsse pela bruxaria tornou a perseguição aos gatos ainda mais feroz: foi
o período tão conhecido como “caça às bruxas”, na Europa e também na América,
que foi acometida com a mesma
violência: leia-se, por exemplo, os
registros dos julgamentos das bruxas de Salém, em Massachussets, na América do Norte. Senhoras idosas e solitárias que
possuíam um gato de estimação eram acusadas e condenadas por bruxaria, e
submetidas a torturas até que confessassem.
Então, eram queimadas vivas, publicamente.
Foi daí que se gerou tanto
preconceito e tantos mitos que, quem convive com eles sabem, são absurdos.
A despeito de tudo isso, em
várias partes do mundo os gatos também foram amados e
tidos como portadores de boa sorte a quem os possuía; no
sul da França, havia uma lenda dos gatos
mágicos, chamados de ‘matagots’: eles traziam sorte e fortuna a quem os
acolhia e amava.
Lordes conquistavam reinados
pela inteligência e astúcia de seu gato: a lenda do Gato de Botas teve sua
origem em fatos verídicos, obviamente, salpicados de muita fantasia. Uma das
muitas lendas diz que Maomé os amava tanto, que deu a eles o “M” que vemos
na testa dos gatos tigrados.
No século XVI, um prisioneiro
em Londres foi aquecido e alimentado por uma gata: era permitido que ele
cozinhasse o alimento que conseguia, apesar de lhe ser fornecido no cárcere a
mais pobre das refeições. Assim, ele alimentava-se dos pombos que
a gata lhe trazia. Existem inúmeras histórias verídicas de gatos que salvaram
a vida de membros das famílias com as quais viviam. Histórias de bravura,
valentia, inteligência, companheirismo e lealdade, escritas por todos os povos
do mundo, ressaltando seu valor, suas habilidades, sua inteligência, beleza e sua percepção. E a convivência com eles nos mostram que,
essas sim, são histórias que correspondem à realidade.
Poemas, músicas
e pinturas dedicadas a eles também são conhecidas em todo o mundo: Ravel
incluiu dois siameses em seu “Lénfant et les sortilèges”, por
Colette, que também amava os gatos, seus companheiros inseparáveis enquanto ela escrevia. Vários poemas de Montaigne
descrevem seu relacionamento com seus gatos.
Pessoas que, a despeito de seu
irrefutável talento, tinham sensibilidade, como nós, para
perceber o quanto é sublime e gratificante a
convivência com um gato.
Texto:
Elaine Jordão
Gatil Blaze Star
    
  
      
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