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Uma
gata que abandona a ninhada, ou ataca seus filhotes; uma doença súbita; um
acidente trágico durante ou após
o parto, ou ainda, uma gata
inexperiente; ou pode ser que ela não
tenha leite suficiente para
alimentar todos os filhotes... ou seja uma mãe preguiçosa...
Uma ninhada de gatinhos sem mãe; tão pequeninos, tão frágeis... E agora? O que fazer diante
dessa situação?
O ideal é encontrar uma gata que tenha
tido cria recentemente e perdeu os
gatinhos, ou que possa adotar alguns filhotes a mais; se conseguir encontrar, o
próximo passo é fazê-la aceitar os órfãos, o que não é difícil.
Só
que nem sempre isso é possível. Portanto,
caso você não consiga uma outra gata que possa ser a mãe adotiva,
prepare-se: você foi a escolhida!
Acomode os filhotes em uma
caixa de papelão forrada com um
cobertor ou tapete, colocando por cima um lençol ou uma toalha,
que poderão ser trocados
diariamente.
Você precisará manter os
filhotes sempre aquecidos, pois eles não retém a temperatura do corpo nas
primeiras semanas de vida. A temperatura certa é fundamental para que
sobrevivam. Você pode colocá-los sob uma lâmpada de 40 Watts a 1 metro de
distância, ou pode usar uma bolsa
de água quente, ou ainda 2 garrafas plásticas envolvidas em uma toalha.
Não cubra os filhotes, pois, ao se mexerem na caixa, poderão
sufocar-se. Um aquecedor (sempre morno, nunca quente) também é uma opção,
mas não se esqueça de manter sempre uma vasilha com água ao lado, pois o
aquecedor pode provocar ressecamento nos pulmões. Uma
bolsa de água quente também funciona muito bem. A
temperatura ideal é de
aproximadamente 35 graus. Proceda assim até 20 dias após o nascimento.
Deixe-os descansar bastante.
Até 20, 25 dias de idade, os filhotes dormem o tempo todo.
Alimentá-los é o próximo
passo. O leite de vaca não é bom para isso: o da gata tem um teor de proteínas
muito alto e é muito mais rico, além de possuir todos os anticorpos de que os
filhotes necessitam. Isso você não poderá substituir; portanto, sempre
mantenha contato com um veterinário, pois seus gatinhos estão sujeitos a um
risco bem maior.
Em lojas
especializadas, você encontrará produtos
que se assemelham muito ao leite de gata, ou até esse próprio leite
desidratado; essa é a melhor saída. Outra opção é uma fórmula caseira
que funciona muito bem nas três primeiras semanas e pode ser feita com 1
colher de sopa de leite em pó (suave) para 100 ml de água, uma colher de café
rasa de gema de ovo, a mesma medida de creme de leite e meia medida de
suplemento vitamínico à base de
Complexo B e Cálcio.
Se
preferir, compre uma mamadeira em
lojas de produtos para animais (não é difícil de ser encontrado), ou use um
conta gotas. Ofereça o leite sempre morno. Não aperte o bico na boca do
gatinho; apenas pingue uma gota para que ele sinta e deixe que ele mesmo sugue.
Coloque o gatinho em cima de uma toalha, se possível, no colo ou na mesa,
segurando a cabeça entre o polegar e o indicador, mantendo-a
reta e ligeiramente mais baixa que o corpo. Cuidado para que o furo do
bico da mamadeira não seja grande demais.
Todos estes
cuidados evitam que o gatinho engasgue ou que o leite
vá para os pulmões, o que
provocará uma pneumonia, matando o filhote em poucos dias. Isso é muito comum
em filhotes criados artificialmente. Caso ele se engasgue,
levante a parte traseira rapidamente e sacuda suavemente o filhote para
baixo, para eliminar o leite que entrou pelas vias respiratórias. Assopre o
gatinho devagar.
Para
limpá-los, faça o seguinte: 1 vez
ao dia, esfregue o gatinho com a
ponta de uma toalha levemente umedecida com água morna e algumas gotinhas de
vinagre e álcool; seque-o muito bem. Cuidado com o umbigo: se esfregá-lo com força,
você poderá arrancá-lo, o que provocará infecções. Caso isso aconteça
acidentalmente, desinfete-o 2 ou 3 vezes por dia com
iodo ou merthiolate.
É a
mãe quem faz com que o gatinho urine e evacue; portanto, estimule-o a isso,
passando delicadamente uma toalha de papel umedecida debaixo da cauda.
Os gatinhos só abrem os olhos aos 10 ou 12 dias.
É normal, depois de alguns dias,
que seus olhos fiquem um pouco irritados, podendo aparecer uma conjuntivite. Se isso acontecer, limpe-os com soro fisiológico
e pingue um colírio indicado pelo seu veterinário.
A partir da quarta semana, você deverá começar o ‘desmame’. Você
pode fazê-lo de duas formas: prepare uma papinha, com
uma parte de leite para uma de água (SEMPRE dilua o leite), engrossada com
amido de milho; adicione carne moída crua e as vitaminas
e cálcio. Ou, se preferir, dê-lhes somente a carne
moída crua com um suplemento vitamínico (pode ser os mesmos que você estava
usando no preparo da mamadeira, ou aqueles
utilizados para bebês). Ofereça aos filhotes três vezes ao dia; depois da sexta semana, diminua para duas
vezes. Também deixe à disposição dos filhotes ração seca, pura.
Nessa fase, os filhotes começam a evacuar e urinar sozinhos. Muito
limpos por natureza, eles procuram o local que ELES consideram mais adequado
para isso que, normalmente, é dentro do pote de ração; ali,
eles poderão cobrir suas necessidades. Deixe
ao lado do pote de água e ração uma bandeja sanitária forrada com papel ou
jornal, e mostre a eles que é ali que devem fazer xixi; eles aprendem rápido.
Mas, se eles estiverem confusos e
demorarem a aprender, opte pelo granulado sanitário: eles aprenderão fácil.
Duas vezes ao dia, misture carne moída com ração seca (de boa
qualidade, com alto teor de proteínas), e
as vitaminas, só o suficiente para uma refeição, pois a ração, depois de
umedecida, fermenta em poucas horas. Ofereça a bolinha de carne em cima do
potinho de ração seca, para que ele saiba que o alimento estará disponível
para ele sempre naquele lugar.
Vá diminuindo a carne,
até que eles se habituem a comer a ração pura. Ofereça uma pequena bolinha de carne 1 vez ao
dia, para administrar as vitaminas, ou administre-as diretamente na boca. Não se esqueça, toda mudança de
alimentação deve ser sempre gradativa.
Após os 40 dias, os filhotes já podem ser banhados, tomando o cuidado
de secá-los muito bem com um secador de cabelos.
A vermifugação é muito importante nessa fase. Mas o uso indiscriminado
de vermífugos pode acarretar problemas a seus gatinhos: o ideal é que se faça
um exame de fezes, para constatar se há alguma verminose e de que tipo. Se
houver, seu veterinário lhe indicará qual o vermífugo mais adequado para cada
caso e a dosagem certa, conforme o peso e idade dos filhotes.
Ele também deverá orientá-lo a respeito das vacinas. A primeira dose deve
ser administrada aos 2 meses, e o gatinho deverá tomar mais duas doses de reforço,
com intervalos de 30 dias entre cada uma delas.
Afinal.... Parabéns! Seus filhotes estão criados! Agora, basta
apenas encontrar bons lares para os gatinhos, tendo a certeza de que serão
cuidados com o mesmo amor que você lhes dispensou.
Texto:
Elaine Jordão
Gatil Blaze Star
    
  
      
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