ADQUIRINDO FILHOTES

C
OMO FAZER UMA BOA COMPRA

           Muitas pessoas não imaginam os problemas que podem ocorrer na compra de um filhote; infelizmente, a grande maioria passa a conhecer esses problemas somente depois de ter realizado uma má aquisição, e atravessar meses tentando solucionar os problemas de saúde do bebê; que, invariavelmente, acabam por custar muitas vezes o valor do filhote, e, muitas vezes, ele vem a morrer.
             Conheça aqui algumas dicas de como fazer uma boa compra, para que adquira um gatinho saudável e feliz:

 1) NÃO COMPRE GATINHOS MUITO NOVOS:
    
         Ao contrário do que se pensa, um gatinho novinho ainda não é dócil e apegado aos donos: sua ligação com a mãe e os irmãos é de fato muito mais forte do que sua ligação com as pessoas. Essa ligação se estabelece dos 70 dias em diante, estando bem sociabilizados após os 3 meses de vida.
            Alem desse fator, temos outros, tão importantes quanto: filhotes de gatos não são como filhotes de cachorros. Dos 40 dias até os três meses de vida, o organismo dos filhotes enfrenta diversos desafios:
            a) Eles estão estruturando seu próprio sistema imunológico, ao mesmo tempo em que é desafiado com a introdução de vacinas;
            b) Estão em fase de adaptação alimentar (do leite materno para a papinha e depois, para a ração seca), ou seja, o sistema gastro entérico também sofre mudanças, ao mesmo tempo em que são vermifugados,  que não deixa de representar uma agressão ao sistema orgânico;
            c) Passam pelo impacto do desmame (separação da mãe),
            d) Pelo stress dos primeiros banhos,
            e) E ainda, pela mudança de ambiente (do Gatil para o lar do novo proprietário).

Fica fácil perceber que um gatinho com menos de três meses ainda é bastante instável e, sob os olhos atentos de um bom criador, ele atravessa tantos desafios com a atenção que tal período merece; qualquer desequilíbrio é rapidamente observado pelo criador, e facilmente revertido. Após os três meses de idade, o gatinho já se alimenta bem com ração, já está independente da mãe, já está imunizado e vermifugado, e já está, inclusive, sociabilizado no ambiente familiar: portanto, nunca compre um gatinho para retira-lo antes dos três meses de idade. Um gato é filhote até os seis a sete meses e, se tiver sido bem cuidado quando pequeno, ele permanecerá com a família sem qualquer problema por aproximadamente de 15 a 20 anos.

2) NÃO COMPRE FILHOTES EM LOJAS:
            Evite adquirir seu gatinho em qualquer outro local que não seja em Gatis*, por diversos motivos:
           
a) Toda e qualquer mudança representa stress para os gatos. Mesmo que tenha saído sadio do Gatil, a exposição em lojas, normalmente em gaiolas, representa uma agressão e motivo de grande stress para o filhote. Com o stress, uma queda de resistência é inevitável, e invariavelmente ele não retornará nas mesmas condições seja para sua casa, ou de volta para o Gatil.
           
b) As condições em que o filhote permanece em lojas nunca é igual ao do Gatil: ele estará exposto ao frio, calor, mãozinhas não limpas na boquinha do filhote, alimentação diferente ao do que ele está habituado, barulho excessivo, que alteram o comportamento natural dos filhotes, deixando-os assustados ou tristes.  
           
O resultados desses fatores são: micoses e problemas de pele, diarréias, gripes, apatia, e alterações comportamentais significativas – às vezes, permanentes. Assim, procure as Lojas para adquirir os apetrechos de seu novo amiguinho, e não ele próprio.

* São considerados GATIS criadores de fato, que trabalham em prol do aprimoramento da raça, com amor e respeito por seus animais; e não pessoas leigas que adquiriram alguns gatinhos e os deixam reproduzir. Invariavelmente, essas pessoas acabam ficando com alguns filhotes das ninhadas, e permitem acasalamentos consanguíneos entre parentes por várias gerações, que geram filhotes com sérios defeitos/anomalias congênitas, tanto visíveis (como lábio leporino, anomalias cerebrais, problemas sérios de crescimento), como não perceptíveis (problemas cardíacos, má formação em órgãos vitais, etc), que acbam levando o filhote à morte ainda em tenrra idade. Ser um CRIADOR é muito mais do que simplesmente adquirir gatos e permitir que reproduzam, sem o menor conhecimento genético para fazê-lo. Criadores sérios vendem seus filhotes castrados, ou com condição de castração em idade apropriada.

3) NÃO FAÇA SUA SELEÇÃO PELO PREÇO:
          
Gatis que trabalham com amor e respeito tanto pelos animais, quanto por seus clientes, tem um custo considerável para oferecer uma excelente qualidade de vida para seus gatos. Por exemplo, um veterinário cobra de R$ 60,00 a R$ 90,00 para aplicação de uma dose de vacina; se o Criador for sério, por volta dos três meses o gatinho já recebeu a 2º dose; e dos quatro meses, ele também já tomou a 3º. Considerando que ele já passou por dois programas de vermifugação, é alimentado com rações importadas, vitaminas, aminoácidos, cálcio e toda a suplementação necessária ao pleno desenvolvimento do filhote, o custo para o Criador de um filhote, desde a gestação da mãe (que também deve estar vacinada, vermifugada e recebendo alimentação especial) até os 3 meses não é inferior a R$ 500,00 – SE  ele não necessitou de assistência veterinária em momento algum. Caso tenha necessitado de assistência e/ou tratamento, esse custo chega a 50% a mais. Temos ainda o custo com a emissão de Certificados de Pedigree, higienização do ambiente, custos com material para banhos regulares, funcionários, etc.
              Assim, um filhote de raça com uma boa qualidade de vida (sem considerar o padrão de raça) não pode custar menos que R$ 700,00; ou o Criador tem um prejuízo considerável,  por filhote. Fica fácil perceber que, um filhote que não tratá problemas, tristezas e profundas preocupações para o novo proprietário de fato, não pode custar barato. 

4) SAIBA COMO ESCOLHER O GATIL:
           
Mesmo adquirindo seu filhote em gatis, é importante saber em qual Gatil escolher seu novo amiguinho:
            a)  Muitos não criam por amor, mas sim, fazendo dos filhotes puro comércio; e, nesse caso, a filosofia é reduzir custos para aumentar a margem de lucro. Reduzir custos significa reduzir também a qualidade de vida dos animais do Gatil, fornecendo alimentação mais barata e de baixíssimo valor nutricional, ‘economizando’ em vacinas e vermífugos, suprimindo vitaminas e suplementos que formarão os depósitos de reserva orgânica do gatinho, em caso de necessidade; e assim, esses Gatis oferecem filhotes a preços bem inferiores, mas que sobrecarregarão os novos donos com despesas bastante altas de veterinário, sem grandes resultados: um filhote mal nutrido quando pequeno jamais será um gato forte e sadio, com boa resistência orgânica.
           
b) Filhotes assustados e arredios, normalmente (não em todos os casos*), são os que são criados fora do ambiente doméstico, em ‘locais apropriados para os gatos’ – quintais, jardins, ou em locais construídos para eles fora do ambiente doméstico.  Esses gatos têm pouco contato humano e são dificilmente sociabilizáveis durante toda a vida; sem contar que, se ficarem doentes por algum motivo, tal será percebido pelo Criador somente em estágio avançado, o que torna difícil a recuperação do gatinho; as vezes, levando a  um quadro crônico que compromete sua qualidade de vida para sempre. 
* O temperamento do filhote também é determinado por fatores de caráter genético.
           c) HIGIENE é fundamental. Um Gatil limpo, bem ventilado, aonde os gatos dispõe de brinquedos e conforto é um local que inspira confiança – eles estão sendo bem tratados, com amor e carinho.
           d) Procure tirar TODAS as suas dúvidas com o criador; veja  quanto conhecimento ele dispõe, caso necessite de seu auxílio em algum momento, e por qualquer motivo. Ele conhece seus gatos, seus filhotes, e deve estar apto a auxilia-lo em todos os momentos da vida de seu novo amiguinho. 

5) ESCOLHA COM O CORAÇÃO:  
         
Gatos escolhem os donos – há o filhote certo para cada pessoa. No momento da compra, é importante que você veja vários filhotes, para que  possa escolher o gato com o qual se identificou mais: é bastante comum que uma pessoa esteja procurando por um macho preto, e acabe comprando uma fêmea branca, por exemplo!
           Porém, se não se apaixonou por nenhum dos filhotes, não compre ainda: essa escolha é muito pessoal, e é bem provável que você venha a devolver o gatinho ou que não usufrua plenamente de tudo o que o relacionamento com um gato pode lhe proporcionar. Por outro lado, não deixe de levar o filhote que o encantou: mesmo que encontre algum outro, você jamais esquecerá daquele que entrou em seu coração. Negocie com o criador se o preço for maior que o planejado, bem como não leve outro filhote porque tem a cor que você queria, ou é melhor do que àquele que você realmente gostou: leve para casa o gatinho que sentir em seu coração que nasceu para ser seu.

Texto: Elaine Jordão
Gatil Blaze Star